1º de Maio foi passo de sucesso na criação da frente de esquerda

Por Renato Bazan

O ato político realizado durantes as comemorações de 1º de Maio em São Paulo serviu como consolidação de forças para a esquerda, entre partidos políticos, movimentos sociais e as centrais sindicais. Dividindo o palanque do Dia Mundial dos Trabalhadores, sob o Viaduto do Chá, estavam representantes do PCO, PCdoB e PT, da UBES e da UNE, da Intersindical, CTB e CUT e da presidenta Dilma Rousseff (quem falou por ela, na ocasião, foi o ministro Miguel Rossetto). O último discurso ficou para o ex-presidente Lula, que deixou claro que tomará para si a liderança da frente unificada da esquerda.

“Eu vou dizer uma coisa para vocês: eu tô quietinho no meu lugar, mas não me chama pra briga, porque eu sou bom de briga! Eu não tenho intenção de ser candidato a nada, mas eu devo dar um recado, e é o seguinte: tá aceita a provocação. Eu vou começar a andar pelo país outra vez… Vou começar a falar com o povo brasileiro, vou conversar com os trabalhadores, com desempregados, com camponeses, com empresários, vou começar a desafiar aqueles que não se conformam com o resultado da democracia. Eles têm que saber que, se tentarem mexer com a Dilma, eles não estão mexendo com uma pessoa, mas com milhões e milhões de brasileiros, que vão defender a nossa presidenta”, anunciou o ex-presidente, para a comoção da plateia presente no ato.

A denúncia uníssona do PL 4.330/04, que tornará legal a terceirização de atividades-fim se aprovado, deu o tom de todos os líderes a falar no palco. “Não há negociação em torno dessa lei, que pretende mandar o Brasil de volta aos tempos em que o trabalhador não tinha direito a nada. Esse Eduardo Cunha [presidente da Câmara dos Deputados] acha que pode passar por cima da classe trabalhadora, mas a luta não acabou”, disse o presidente da CTB, Adilson Araújo. Os presidentes da CUT, Vagner Freitas, da UNE, Vic Barros, e do PCO, Rui Costa Pimenta, foram outros a abordarem o tema, além do próprio ex-presidente Lula.

Greve dos professores e outras lutas

A greve nacional dos professores foi outro assunto de grande relevância ao longo de todo o ato no Anhangabaú. Em resposta à violenta repressão ordenada contra a categoria pelo governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), praticamente todas as lideranças abordaram o assunto em tom acusatório. A primeira convidada a discursar foi Bebel Azevedo, presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (APEOESP), que disse em alto e bom som: “a greve continua e é nacional, negar não vai mudar isso”. O comentário foi uma resposta à atitude hipócrita do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

O presidente da CTB também abordou o tema: “Quero pedir uma vaia enérgica para o governador Beto Richa, que reprime os trabalhadores, homens e mulheres professores! A truculência é a marca do governo tucano, é o retrato de um governo que solta o pit bull nos trabalhadores, é a dituradura de um governo que não tem moral. A educação é um bem maior do nosso povo. No dia de ontem, nós tivemos um encontro com a presidenta Dilma – ela nos pediu que tomássemos as ruas para defender a democracia, e é isso que nós vamos fazer”.

Aqui em São Paulo, os professores acampam na Praça da República, em protesto, desde o dia 13 de março.

Além PL 4.330 e da greve dos professores, outras pautas levantadas nas passeatas do dia 13 de março voltaram à tona no ato do Dia do Trabalhador: a defesa da Petrobrás e da engenharia nacional; a reforma agrária e urbana e o fortalecimento da agricultura familiar; o combate à corrupção e o fim do financiamento empresarial das campanhas; a realização de uma reforma política democrática; a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas; a taxação das remessas de lucros; a revogação das MPs 664 e 665. O último tópico, em particular, arrancou assovios e exclamações dos trabalhadores presentes.

Um ato de sucesso

A avaliação do presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves, é de que o ato foi “um grande sucesso”. Em termos de público, não foi pequeno, com mais de 30 mil presentes no momento de pico. Em termos políticos, foi um necessário passo para a construção de uma frente ampla da esquerda, necessária para enfrentar o avanço conservador.

“Sempre é muito importante para a classe trabalhadora comemorar conquistas, mas o 1º de Maio foi também um dia de mobilização, de reivindicação, de sustentar direitos e bandeiras, principalmente neste momento em que a classe trabalhadora está sendo atacada pelo Congresso Nacional, que quer tirar os seus direitos”, disse Gonçalves. “Com o ato político, nós falamos aos trabalhadores e trabalhadoras, dissemos qual será a nossa reivindicação, demos satisfações e orientações. A missão foi cumprida”, completou.

Fonte: CTB

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