Centrais sindicais e MTST vão às ruas nesta quarta contra as terceirizações

Protestos marcam o dia em todo o país. Cunha levará projeto hoje à segunda votação

por Wanderley Preite Sobrinho

Três dias depois da manifestação contra o governo federal, será a vez de o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e de cinco centrais sindicais saírem às ruas. Os movimentos populares protestam nesta quarta-feira 15 contra o Projeto de Lei 4330/04, que permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa. O texto-base, aprovado pela Câmara dos Deputados em 8 de abril, terá suas emendas e destaques votados nesta terça-feira 14. O projeto ainda passará por votação no Senado antes de ser enviado para a sanção presidencial.

Dia Nacional de Paralisação contra o PL 4330/04 é o nome do ato marcado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), Intersindical e Conlutas.

A intenção é que todas as categorias filiadas a um desses sindicatos paralisem suas atividades pela quantidade de horas que cada uma julgar adequada. Serão fábricas, portos, bancos e estabelecimentos comerciais em protesto. A CUT recomenda atraso de, pelo menos, meia hora na entrada ou uma hora com realização de assembleia em frente à empresa. “Duas horas, quatro horas. Tem empresa que vai parar o dia inteiro”, explicou a CartaCapital o presidente da CUT, Vagner Freitas. “Ainda estamos indo aos sindicatos conversar com os trabalhadores para aderirem à paralisação.”

Além de cruzarem os braços, muitos empregados vão se reunir em protesto em algumas as capitais. No Ceará, os manifestantes se encontram às 8h na Praça do Carmo. Em Brasília, a concentração será às 16h em frente à sede da CUT, na Asa Sul. Eles pretendem marchar até a rodoviária.

Também às 16h, os trabalhadores no Rio de Janeiro marcaram encontro em frente à Candelária. De lá, partem para a Firjan, a Federação das Indústrias do estado. Em Curitiba, o ato é na parte da manhã, às 11h30, na Praça Santos Andrade.

Os trabalhadores do Piauí começam o protesto às 10h na praça Rio Branco, em Teresina. No Rio Grande do Sul, a manifestação foi marcada para Porto Alegre. A parte da manhã terá atividades promovidas pelos sindicatos. A partir das 12h, os trabalhadores se concentram na Federação do Comércio. De lá, partem para a Assembleia Legislativa.

Além de parar os trabalhos, os manifestantes em São Paulo foram convidados a fechar rodovias e reunir milhares de pessoas às 15h em frente à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista. Discursos e gritos de ordem devem dominar o protesto.

Depois desse horário, militantes e trabalhadores seguirão para o Largo da Batata (zona Oeste), onde, às 17h, se juntam ao ato do MTST “Contra a Direita Por Mais Direitos”. “Esse protesto já havia sido marcado antes da aprovação do projeto. Agora ele ganha ainda mais força porque é ‘por mais direitos’”, diz Freitas.

Com 5 mil confirmações no Facebook, a marcha pretende focar em “três eixos”. O primeiro já é a terceirização. “Não ao PL 4330 da terceirização e ao ajuste antipopular dos governos”, diz a página. Os outros eixos são “combate a corrupção, com o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais” e “não à redução da maioridade penal, genocídio da juventude negra e saída para a crise pelas reformas populares.”

Para o presidente da CUT, todos os movimentos ligados à esquerda precisam se unir contra o projeto de terceirizações. “O Congresso está promovendo a demissão dos trabalhadores. Temos de explicar para o povo que todos eles podem acabar demitidos e terceirizados para ganhar metade do salário.”

Freitas explica que dos 50 milhões de brasileiros com carteira assinada, 12 milhões trabalham em regime terceirizado. “Se fosse um projeto para melhorar as condições de trabalho desses 12 milhões – que trabalham mais, adoecem mais, se acidentam mais e ganham menos – a CUT concordaria. Mas não é isso. Querem terceirizar os outros 40 milhões.”

Fonte: Carta Capital

 

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